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Ômega 3, cálcio, vitamina D: sim ou não?

Debate reuniu especialistas que argumentaram contra e a favor da suplementação para diminuir riscos cardiovasculares

O segundo dia do 78º Congresso Brasileiro de Cardiologia contou com uma conversa importante sobre prevenção. Sob coordenação do médico Flávio Danni Fuchs, Professor Titular de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFRGS, a atividade, intitulada Controvérsias nas terapias de prevenção cardiovascular”, teve como objetivo promover a atualização sobre a importância de medidas preventivas na redução do risco cardiovascular. Médicos contra e a favor do uso de ômega 3, vitamina D e cálcio compartilharam seus conhecimentos e defenderam suas visões.



 



Maria Cristina de Oliveira Izar, Professora Livre Docente da Disciplina de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo, defendeu o uso de ômega 3 para redução de riscos. Ela trouxe o conhecido estudo Reduce-it, cujos resultados mostraram que os ácidos graxos poli-insaturados reduziram em 25% os eventos isquêmicos em pacientes com hipertrigliceridemia. 



 



José Rocha Faria Neto, Professor Titular da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, argumentou que o estudo tinha como placebo um óleo mineral, que piorou as condições dos pacientes, portanto, os resultados da pesquisa podem ter sido comparados com essa piora. “Além disso, o Reduce-it usou o EPA (ácido etil-eicosapentaenoico), que não temos no Brasil – portanto não tenho como recomendar para o meu paciente”, disse ele.



 



A médica mostrou um outro estudo, intitulado Evaporate, que apontou uma redução de risco cardiovascular em pacientes tratados com ômega 3 durante 5 anos. Ambos concordaram, entretanto, que o ácido poli-insaturado pode aumentar os riscos de sangramento e fibrilação arterial. 



 



Vitamina D e cálcio



 



Bem-humorado, o médico Carlos Scherr, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse que tinha a difícil missão de defender o uso de vitamina D e cálcio. Também mostrou estudos, que apontavam benefícios de ambos os suplementos. No entanto, ele defendeu a boa alimentação e o cuidado com as doses a serem ministradas. “Creio que a alimentação com soja, queijos, couve e espinafres cozidos são boas opções para manter o cálcio em dia. E o nosso sol para a vitamina D”, disse.



Emilio Hideyuki Moriguchi, Professor da Faculdade de Medicina do Rio Grande do Sul, mostrou três estudos randomizados recentes, inclusive deste ano, e, segundo ele, nenhum apontou resultados positivos para a suplementação. “Foram mais de 20 mil pacientes estudados e o desfecho primário não é significativo. Não reduziu o risco de problemas cardiovasculares”, concluiu o médico.



 



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